Reinvenção em época de pandemia

 Reinvenção ao que me parece é a palavra da vez neste período de covid-19 e de isolamento social. São inúmeras as novas ideias que surgem pelos quatro cantos do mundo sejam elas do mundo virtual sejam elas do mundo real.

 

E nunca imaginou-se que um dia teríamos que atravessar uma pandemia tal qual enfrentamos atualmente, eu pelo menos jamais imaginei isso.

 

Mas a verdade é que ela existe e a humanidade precisou se reinventar para percorrer esse momento da forma menos dolorosa possível. Transformando o que era estranho ao dia a dia em algo comum.

 

Entre as reinvenções que misturam mundo virtual e mundo real são as plataformas de videoconferência. Elas se aperfeiçoaram e nós do mundo real precisamos nos adaptar a ela.

 

As plataformas de vídeochamadas ou videoconferência sempre existiram, o que não existia era a habitualidade da maioria das pessoas em utilizá-las.  Com o isolamento social imposto pela pandemia as pessoas precisaram se adaptar a este novo meio de existência humana caso quisessem acompanhar as gigantescas mudanças trazidas pelo covid-19.

 

É preciso se reinventar e se adaptar em todas as situações mundanas, quanto a isso não nos restam dúvidas. Missão complicada.

 

Mas o que me levou a escrever este texto foi um projeto de lei, em análise na câmara dos deputados, que obrigaria hospitais a operacionalizar e oferecer apoio logístico para a promoção de videochamadas entre pacientes internados com covid-19 e seus familiares.  Em outras palavras, visitas virtuais.

 

A dimensão do cenário atual onde nós humanos somos os protagonistas, parece-me cada vez maior e proporcionalmente mais grave haja vista a necessidade de tornar lei o direito dos pacientes internados com covid-19 de se comunicarem com seus familiares.

 

Já me parece estranho a necessidade de garantir através de lei a comunicação entre pacientes e familiares. Parece-me ainda mais estranho e grave que esta comunicação tenha que ser feita obrigatoriamente de forma remota.

 

Inicialmente as ideias que surgiam pelos quatro cantos do mundo geraram em mim menos impacto emocional e psicológico, tais como visitas virtuais à museus, zoológicos, bibliotecas, parques, serviços de entregas, home office, lives. Quanta coisa positiva que nos trouxe comodidade mas também distanciamento e frieza.

 

Mas passados alguns meses desde a descoberta do novo coronavírus as ideias também precisaram se sofisticar mais, até que chegamos ao ponto de possivelmente existir um serviço de visitas virtuais à leitos de hospital onde se encontram familiares internados.

 

Comodidade, segurança, necessidade? Só consigo ver tristeza, frieza, angustia e sofrimento.

Não critico a ideia proposta. Me assusto com a dimensão das circunstancias atuais e de quanto ainda preciso me reinventar e me adaptar.

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